27.11.09

As Maiorias Negativas (para quem?)
A resultante verbal, por parte do Ministro das Finanças, outros Ministros e máquina socialista, da votação contrária aos interesses do governo na Assembleia da República foi má e dissonante, a mostrar desespero, se atentarmos na recente propaganda política que o mesmo se tem encarregado de difundir:
(1) Afinal sempre havia aumento da carga fiscal com o novo Codigo Contributivo; de acordo com as contas do Ministro das Finanças, o atraso na entrada em vigor do diploma acarreta uma perca de receita fiscal de 80 milhões de euros. Estimo que fosse bem mais que isso, mas os 80 milhões já chegam para provar o ponto de vista;
(2) A preocupação não está centrada na redução da despesa pública mas no aumento da receita fiscal. O curioso é que o aumento da receita para uns (o estado) representa um aumento de despesa para os outros (as empresas). No estado em que as empresas se encontram já é necessária muita coragem para se ser empresário; aumentando a carga fiscal começa a assumir laivos de insanidade. O dinheiro que se liberta na actividade económica não dá para tudo. Como é que vai ser quando os juros que incidem sobre a divída pública aumentarem, por via dos ratings manhosos a que Portugal se vai sujeitando? Aumentam-se os impostos até quando? Creio que não há a mínima noção do limite para esse aumento, caso contrário já se estaria numa política de contenção extrema na despesa pública não produtiva, e de alavancagem da economia através do aligeirar da pressão fiscal sobre os contribuintes.
(Repito que os défices não são todos maus. Maus são aqueles que temos);
(3) O Pagamento Especial por Conta (PEC) nunca deveria ter sido criado. Foi uma péssima invenção de Manuela Ferreira Leite com custos insuportáveis para as empresas, todas elas, independentemente da dimensão, e não passou de um expediente menor na capacidade de controlar o défice, porque saíu de um raciocínio obtuso identico ao do Ministro das Finanças actual: onde é que vamos buscar mais dinheiro ? (assim mesmo, da forma mais singela possível);
(4) A desculpa de que o défice de 2010 está descontrolado é bacoca e insustentável; sem nenhuma das medidas novas e com o PEC a funcionar o défice de 2009 já está descontrolado. Qual a diferença em relação a 2010? Ah... a diferença está no endividamento externo que está em cima do total do PIB, ou seja, em valor absoluto 100% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, em contagem crescente diária e com juros crescentes (em virtude do aumento do risco que a dívida externa da República representa).
Nasceu entretanto uma outra adjectivação política nacional: a maioria negativa.
Lindo: maioria negativa.
Os gurus do marketing político não se podem queixar com falta de trabalho.
As terminologias políticas nascem como cogumelos.
Assistimos à invenção das maiorias negativas (data para anotar). Mas onde está essa maioria negativa na perspectiva do governo? (a) na Assembleia da República, resultado do sufrágio directo transformado em votos, ou (b) no número de partidos que concorrem aos respectivos votos? E para quem? (a) para o partido do governo ou (b) para o país?
Se respondeu (a) e (a) tem uma clara percepção da realidade política nacional.
Se respondeu (a) e (b) ou é um indefectível socialista ou ainda procura o seu lugar ao sol.
Se acaso respondeu (b) e (a) é um caso claro de dependencia socrática, de bajulador encartado.

24.11.09


Há que mudar o pensamento político e social em Portugal....

Avizinham-se tempos ainda mais difíceis.
O desemprego em Portugal está nos 13% actualmente mas pior, existe um desemprego estrutural que não irá ficar abaixo dos 8%.
As soluções de quem tem a responsabilidade de governar ou não existem, ou são irresponsáveis. Perdeu-se o sentido de estado, no seu significado mais directo, puro e duro: perdeu-se o sentido das coisas.
Não existe uma consciencia social, impedindo a existencia de politicas sociais que obrigam a perspectivar politicas economicas focadas em objectivos sociais.
Quem governa não o sabe fazer, enredando-se em problemas e confundindo estes com as soluções. Exemplo: o investimento publico deveria ser todo canalizado para a educação, a saúde, a justiça e a modernização da maquina fiscal e do estado (desburocratização e redução da despesa precisam-se urgentemente).
Os impostos são elevados mas a falácia perpetua-se: não se é capaz de reduzir a despesa do estado (a dívida pública per se, consome o que já não temos) como ainda se garante por palavras o que não se pratica por actos: o aumento da carga fiscal por efeito do novo Código Contributivo é inegável. Como o é o aumento do défice em 2009, muito mal explicado pelo Ministro das Finanças que, uma vez mais, através de linguagem falaciosa quis dizer o impossível; que em Março de 2009 não era possível prever o estado da economia em Dezembro do mesmo ano.
O défice não vai ser de 8%; o défice em 31 de Dezembro de 2009 vai ser de 9,4%.
O crescimento da despesa pública faz-se a um ritmo de 50 milhões de euros diários. É a grande loucura, em estilo político medíocre, economicamente paupérrimo e objectivamente suicidário.
O governo está mal e vai mal; acabaram-se as veleidades de pretender que se está a fazer alguma coisa (nunca se esteve, foi sempre de mal a pior mas iam-se escondendo as mazelas) e as cicatrizes da má condução política e económica das ultimas décadas estão aí com toda a força.
O problema nacional não é conjuntural, é estrutural. Com ou sem crise o problema estava aí; a crise internacional acelerou o processo.
Não conseguimos fazer, não sabemos fazer. Não temos uma cultura de seriedade, de trabalho, de conhecimento e de humildade. Não estudamos, não nos questionamos, nunca temos dúvidas e raramente nos enganamos.
É este o nosso drama; somos pobres de espírito e não sabemos tirar proveito das nossas melhores qualidades porque nos afundamos nos nossos piores vícios: somos arrogantes na forma como encaramos a vida e os outros.
Admitimos que existem uns que tudo têm que suportar, enquanto para outros só existem direitos naturais (quase divinos).
Fazemos do engano uma escola, da mentira uma virtude.
E a oposição não vai melhor.
Nada a esperar do que aí vem do PSD. Dois cenários possíveis numa realidade indisfarçável: mais do mesmo (Aguiar Branco) ou menos de mais para um partido oposicionista (Passos Coelho) que está, indelevelmente, fragmentado (como venenosamente - mas de forma séria - e cheio de oportunidade Marcelo Rebelo de Sousa fez notar).
A política nacional foi canibalizada por várias gerações muito fraquinhas, muito pouco preparadas, enredadas em questões pessoais e problemas partidários (que passaram sempre por preocupações pessoais) que não lhes permitiram conhecer e participar, de forma activa, na vida e problemas das sociedades modernas e, em particular, dos problemas da sociedade portuguesa.
Uma rede de estradas, uns mini-computadores e um ou dois investimentos de referencia são foguetório que não dão para um país viver.
Estamos a pagar uma factura demasiado elevada e que não merecíamos. Ninguém pedíu as nacionalizações em 1975.
Ninguém referendou a descolonização e a forma como foi conduzida.
Ninguém requereu as reformas educativas nem a facilidade de acesso ao crédito.
Ninguém percebeu a necessidade de acabar com empresas nacionais viáveis (Mague, Siderurgia, Lisnave, CUF, para citar só algumas) e substituir durante anos - para esconder o Sol com a peneira - o empregador privado pelo empregador Estado.
Ninguém pedíu uma integração galopante e profunda na União Europeia (a integração na CEE era desígnio antigo que data de 1961).
Ninguém imaginou que estivessemos a ser colonizados em 2009 por Angola, com todos os riscos inerentes a esse processo.
Ninguém quis que o nosso principal parceiro a Grã-Bretanha (GB) perdesse influencia política e económica (que historicamente sempre teve) e fosse substituído, durante muitos anos pela França, assim como ninguém quer agora estar dependente nas nossas exportações quase a 30% do mercado espanhol e a quase 80% do mercado europeu.
Novas ideias políticas são mais do que necessárias; são fundamentais.
Arejar a política nacional é fundamental.
O bafio que se sente quando olhamos para o conjunto de partidos políticos com assento parlamentar, só encontra equivalente na vergonhosa condução dos interessses nacionais. Um e outra têm de ser limpas, arejadas repito, levadas por caminhos sérios e pensados para o bem-estar que todos merecemos.
Muito poucos delapidaram o património de milhões. E continuam a delapidar.
Muito poucos, como sempre, iludiram uns milhões com promessas inviáveis. E continuam a iludir prometendo o que sabem não poder cumprir.
Muito poucos são os que necessitam ser substituídos. E terão de o ser.
Serem muito poucos apresenta uma vantagem; são todos conhecidos.
Resta empreender o movimento de substituição.
Novas caras, novas ideias, seriedade, motivação e empenho.
Acima de tudo pensar Portugal e os portugueses (os que cá estão e os que estão fora de Portugal).
Novas políticas e novas formas de encarar a política. Menor dependencia do pensamento atávico político e social nacional; arrojo, criatividade, desempenho máximos são absolutamente necessários.
Acreditar em Portugal é fundamental.
Acreditar que é possível mudar é fundamental.
Participar da mudança é fundamental.
A inacção explora primeiro e mata de seguida.

19.11.09

Pergunta...

Os dispositos de comunicação utilizados pelos árbitros também recebem chamadas telefónicas ?

17.11.09


Kippenberger
Desafio Simbólico ao Professor Medina Carreira
Já escrevi, uma vez, que os gastos do Estado com a frota automóvel (gasolina, manutenções, motoristas, rentings/leasings quando os há) anda próximo de mil milhões de euros anualmente.
Também todos sabemos que as atribuições de automóveis de serviço pelas empresas privadas e pelas participadas pelo Estado é prática comum. Aqui, o custo é o das viaturas (leasings/rentings) adicionado das manutenções e da gasolina.
Igualmente sabemos que há planos de saúde, poupança-reforma e outros, que são atribuídos aos quadros das empresas como prática corrente (quer a atribuição de automóveis quer estas regalias são remunerações encapotadas).
Conhecido é também o direito que assiste às profissões liberais de terem sede própria, significando com isto que a compra da habitação pode servir como suposta sede empresarial; que as despesas correntes, desde água a condomínio passando por reparações são custos dedutíveis nestas empresas, assim como a aquisição de automóveis (para usufruto próprio e familiar), respectivas gasolina e manutenção, são tudo custos abatíveis ao rendimento colectável.
Imaginemos agora, porque não custa e sabe bem, que as mordomias no Estado acabavam tendo direito às mesmas só os principais dignitários da Nação, ministros e secretários de estado e que por Camara Municipal haveria uma única viatura e motorista.
Imaginemos ainda que as empresas davam todo o tipo de regalias enunciadas acima aos seus quadros, mas que estas passavam a ser taxadas em sede de IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares).
Imaginemos tudo isto e podemos concluir, deste exercíco imaginativo, que a receita do estado aumentaria substancialmente, que a despesa pública se reduziria substancialmente e que, acima de tudo, se diminuíam fortemente as desigualdades sociais existentes entre aqueles que para terem aquelas regalias as pagam do seu bolso e pagam também impostos, e todos os outros que as tendo não as pagam nunca, nem em impostos nem do bolso. Questão de equidade social.
Se imaginarmos que existe esta vontade de igualizar os direitos e que não se defendem posições de dominancia e favorecimento podemos concluir, com facilidade, que seria possivel baixar a carga fiscal de todos os escalões de rendimentos, com incidencia maior nos rendimentos mais baixos, baixar o IRC para as empresas situadas no interior, criar escalões especiais de IRC para todas as empresas que se venham a instalar e a investir nesse mesmo interior e, assim, dinamizar a economia, pela geração de maior liquidez, aumentando em simultaneo a capacidade de consumir e igualmente a capacidade de poupar.
Lanço um desafio simbólico ao Sr. Engº Medina Carreira (pessoa que muito prezo e com quem concordo em quase tudo, no que diz respeito às necessárias reformas económicas do país e aos erros crassos que temos cometido e estamos preparados para cometer num futuro próximo): prepare umas contas, como muito bem as sabe fazer e, no proximo programa da SICN, conduzido pelo fabuloso jornalista (como a idade é importante no saber) Mário Crespo nos diga, frontalmente como é seu timbre, se adoptando todas aquelas medidas reformistas, assacando responsabilidades ao Estado (que somos todos nós) não é possível o melhor de dois mundos: baixar impostos, aumentar a receita fiscal e incrementar o crescimento económico.
Eu já fiz as contas e estou convicto que é possível.
É na capacidade de prescindir de prerrogativas bacocas e na coragem política de implementação de medidas reformistas das mentalidades, que reside parte do futuro de Portugal.

13.11.09


CrownPower
As escutas que transformaram os ministros políticos num grupo de pressão...
Este processo "Face Oculta", albergando escutas entre o Primeiro-Ministro (PM) e o Vice-Presidente do BCP, José Sócrates e Armando Vara respectivamente, começa a derrapar perigosamente para expedientes verbais extravagantes, que mais não pretendem que adequar uma impossibilidade: a fundamentação do direito à privacidade, com a discussão de temas reais sobre os quais impendem dúvidas judiciais ( a fazer fé nas declarações do PM e outros governantes e o que vem impresso nos jornais, nomeadamente o semanário SOL).
É preocupante a tomada de consciência de que o poder instrumentaliza toda e qualquer fruição, manipulando-a e transformando-a num produto perverso. Já o seria se não houvesse perversidade, mas havendo a situação piora.
Todas as declarações que têm sido produzidas por membros do governo são-no com uma linguagem sob regime de liberdade vigiada: é o discurso e a sua dimensão que obedecem a regras de opressão e de repressão ao nível da retórica e, em simultâneo, subtis ao nível gramatical.
Existe uma mensagem corrompida nos medos, nas intimidações, nas desculpas e nas agressões verbais. Há um vangloriar de posições de poder e de ascendente político, que ao invés de aniquilar as situações de constrangimento legal, se aniquila a ele próprio.
O próprio governo, através de ministros de estado, torna-se num grupo de pressão. Há um vale-tudo inaceitável.
Não é possível ao Primeiro-Ministro "viver fora" da sua função de estado como se esta fosse sistemáticamente um alvo e dentro dessa mesma função, utilizando-a como se fosse uma arma. É um claro caso de estrabismo.
É a imposição de uma grelha, através da qual se pretende mostar transparência numa situação ininteligível.
São os valores que se perdem e a sociedade que se desgoverna, por quebra dos sistemas naturais de vigia: a ética e a moral.
É perversa a visão que se atém aos nossos olhos.
As sociedades têm de se rejuvenescer obrigatoriamente se querem viver, o que é bem diferente de sobreviver. Os medos sociais impedem esta renovação.
À luz do que se passou nas ultimas 24 horas diria que não resta outra solução senão levar o caso das escutas até "ao osso".

11.11.09


Que...

Que os escribas escrevam de verdade.
Que as palavras brotem esfusiantes, aclamantes de uma inteligência reconhecida no alimento da alma.
Que os escritos prendam pela positiva, pela sagacidade, capacidade de incrementar a mente.
Que os acontecimentos, os vários momentos, se sagrem a si próprios.
Que a especulação seja assumidamente fértil, criadora de ideias, de ilusões e sonhos, de certezas tão incertas quanto o pensamento deambula pelas tortuosas vielas de um espírito imaterial, num universo dialéctico.
Que a escrita se consagre como o milagre da comunicação ímpar entre iguais, todos diferentes.
Que a vida seja respeitada, a privacidade um dogma, o silêncio um direito.
Que a comunhão de sentimentos seja partilhada.
Que tudo seja puro: na alma, nos actos, nos intentos, na palavra dita e escrita.
A palavra, a escrutinadora implacável da intenção verdadeira, tem de ser bem gerida, aclamada, mas também, se necessário, omitida.
O silêncio fomentado enraíza na habilidade, na paciência, no tino e sabedoria. Enraíza na idade: das pessoas e instituições.
É um bem a preservar, o silêncio circunspecto, altivo e altaneiro, num mundo abjecto e convulso em desinformação.
É uma lição a retirar, a gestão do silêncio.

10.11.09


StravinskyFountain at Pompidou Modern Art Museum
Questões de seriedade política.....
Se por imperativos legais conversas mantidas pelo Primeiro-Ministro, mesmo não sendo de sua inciativa o contacto, não podem ser gravadas e utilizadas, a menos que estejam autorizadas as escutas e gravações por um tribunal superior, então não são válidas à face da lei. Ponto final parágrafo.
A questão poderia colocar-se ao nível da legitimidade de legislar neste sentido, mas mesmo nesta área tem de haver salvaguarda de quem ocupa funções tão intrincadas e susceptíveis: um Primeiro-Ministro tem direito à sua privacidade, como qualquer cidadão, e não pode ficar na "mão" de ninguém.
Se as conversas versavam sobre a TVI ou não, e versando se continham elementos que indiciassem alguma tentativa de instrumentalização, é também acessório.
O fundamental é perceber como é que num país dito democrático, governado por partiddos ditos democráticos, se instrumentaliza a informação a toda a hora, em todos os media, e se criaram e permitem a existência de ferramentas que o possiblitam.
Ou como é que neste país se esconde o essencial e se fala só no acessório; ou como é que a população no geral é desconsiderada, lendo e ouvindo só o que a classe política, a realpolitik, quer.
Mais do que o conteúdo das conversas, o que custa é a suspeição existente sobre esse conteúdo, demonstrativa de um estado onde todos duvidamos de todos, seja um funcionário das finanças, um empresário manhoso, um secretário de estado, um ministro ou um primeiro-ministro. Mesmo do Presidente da República, como o caso do e-mail veio mostrar....
O que está em causa é a seriedade imputável aos actores políticos em Portugal - não ao desígnio das funções - que parece ser muito pequena nos dias que correm.

9.11.09


Diálogo de Amor….


“Foi aqui que dormimos. Recorda-se?”

“Perfeitamente meu querido. Recordo as conversas, os intermináveis debates, a sua teimosia sempre meiga, mas ainda assim teimosa, nalgumas matérias [riso solto e baixo]”

“ [riso] mas terminava sempre por lhe dar razão…”

“Depois de eu ceder um bocadinho, meu querido [risos]”

“Sim, meu amor, provavelmente. Mas lembra-se dos momentos verdadeiramente memoráveis?”

“Lembro. Todos eles…”

“E dos beijos sem conta, ao acordarmos de manhã….”

“Ao acordar-me de manhã, é o que quer dizer, meu amor [risos]”

“E ainda e sempre muitos beijos, apaixonados, na entrada, no 1º andar, no jardim, no início do Verão, no meio do Inverno…”

“Amor sempre presente nos seus e nos meus lábios, meu amor. E quando me escondia e ficava à sua espera, em silêncio, e depois me encontrava, me enchia de mimo…”

“Muitas vezes com a sua ajuda, minha querida, quando sussurrava “Aqui!”, quando adormecia no meu ombro, ou no meu colo, no jardim, deixando escorregar lentamente o livro que segurava até o amparar na minha mão, enquanto lhe acariciava a fronte”

“ [Riso elegante e levemente desafiante]”

“ [Riso cúmplice]”


E envolveram-se os dois num enorme e terno beijo de amor.
Ele pegou-lhe ao colo, deitou-a na cama e namoraram, e fizeram amor até adormecerem, ela primeiro, ele depois, após profunda e apaixonada contemplação, como sempre fizera.


(Joao H Fernandes)

Noite...

A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a ElRei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,

Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
-- O Poder e o Renome--

Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.

Queremos ir buscálos, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.

(Fernando Pessoa)

8.11.09


O Tempo...
O tempo tomado de frente embirra no movimento, provoca cansaço e corroi a liberdade e o pensamento. Toma tempo.
O braço apoiado no tempo estagna o movimento, induz à lassidão e corroi a liberdade por um pensamento condicionado pela inação. Mas dá tempo.
O tempo suportando os membros inferiores acelera o movimento, constroi uma falsa liberdade, inibe o pensamento, até ao momento em que atinge o nada, por descontrole da mobilidade. Acelera o tempo.
O tempo apanhado pelas costas facilita o movimento, prolonga a capacidade de esforço, liberta e estimula o pensamento, acelerando e desacelerando a mobilidade de acordo com as necessidades. Controla o tempo.
O tempo é uma ferramenta preciosa, que pode se utlizado de todas as maneiras possíveis; só não pode ser utilizado sempre da mesma maneira.

As habituais trapaças do FMI...sempre com custos elevadíssimos....
"É razoável, depois da crise que vivemos, dizer-se que o sector financeiro, que apresenta mais riscos que os outros sectores económicos, deve pagar parte desses riscos e que não é, de todo, normal que pessoas e instituições assumam riscos desmesurados que depois são os contribuintes a pagar", admitiu o director-geral do FMI.
Admitíu Strauss-Kahn que falava no final da reunião do G20, propondo a criação de um imposto (taxa) sobre as instituições financeiras de acordo com os riscos de crédito que assumam. E admitíu mal, porque o problema não reside no risco das operações mas nos favorecimentos e na corrupção que dilaceram transversalmente todo o sistema, na utilização de liquidez para operações especulativas, por contraponto com a ausência de financiamento a empresas, a ideias e novas empresas, sinónimos de criação de emprego, com todos os riscos inerentes à actividade empresarial.
Na situação económica actual (e na verdade em qualquer situação económica de qualquer país, região ou mesmo a nível mundial) o importante não é fundamentar o imobilismo da capacidade de pensar e da capacidade de agir, mas sim criar um modelo de gestão que se desenvolva no médio e longo prazo. Pretende-se que as pessoas e as ideias cheguem a ter tempo de germinar, de se desenvolver, tudo situações difíceis de acontecer no curto prazo, pelo que todos os projectos, sejam eles quais forem, são efectivamente de risco.
Há a necessidade de saber separar entre o que é a actividade (também o activismo) e a eficácia (os resultados). Ser proactivo significa saber e estar disposto a inventar o futuro que nos espera. Nada disto cabe numa análise de risco, calculado no momento.
É difícil entender a visão do director geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Apetece glosar uma afirmação de Krishnamurti, adaptando-a à circunstancia: "por favor cavalheiro, rogo-lhe que antes de afirmar o que quer que seja, aprenda a pensar".
O FMI é uma ratoeira onde são apanhados todos os maus economistas. É bom porque segrega pela positiva mas não lhes dêem ouvidos, nem aos que lá estão nem aos que lhes seguem o discurso.

6.11.09

O país que vive em contramão...
Os dados sobre possíveis envolvimentos de figuras e empresas em esquemas corruptivos vão aumentando.
É mau para o país ir-se dando conta destas dúvidas (muito sérias), sobre o regular funcionamento das instituições e do desempenho de cargos públicos ou privados, mas todos com fortes ligações políticas. É mau porque retira confiança ao sistema, retira confiança ao país e traz à liça a discussão sobre a seriedade da condução dos interesses públicos, dos dinheiros públicos, da coisa pública. No princípio, meio e fim quem não resiste a uma sucessão de notícias calamitosas (independentemente de se virem a verificar todos os factos noticiados e sob investigação) é a própria instituição democrática, no seu todo, é o seu funcionamento enquanto sistema político.
Igualmente gravoso é o desvio de atenções para estas matérias, inevitável, que contribuem para uma quebra da vontade de "fazer", de "estar" e "pertencer" a uma sociedade que se rege pela falta de ética, pela ausência de padrões morais, uma sociedade onde não existe lugar para a competencia mas tão somente para os compadrios. Pouco importa o que se trabalha, o que se produz, o que se investiga, o que importa é constatar-se que esta é uma sociedade sem mérito, galvanizada por lobies e alimentada por interesses obscuros.
Este país não pode, não aguenta uma tal pressão, parte-se em mil bocados. É um país onde a desconfiança cresce ao ritmo galopante da falta de objectivos. Esta população já não acredita na bendita democracia, no direito á igualdade e ao trabalho, no direito de oportunidades. Este é o país onde nos vangloriamos porque andamos perto de alguém, que é proximo de outrém, que tem contactos fabulosos e, em simultaneo, jubilamos porque fugimos a uns impostos, como se esse acto em si mesmo prefigura-se algo mais do que uma falha no dever de cidadania; o acto em si configura ter aprendido a "circular pela esquerda, em contramão", estar mais próximo, mesmo que por muito pouco, dos outros, dos poderosos, que o fazem, acumulam riqueza e reconhecimento televisivo (que não social, são coisas distintas. Ainda são).
O país está podre e vai cair como tudo o que apodrece.

2.11.09


Vita
O meu caminho.... (porque a escrita é um alimento fundamental ou nem só de política e economia se vive)
Sigo o caminho que escolhi, estribado na liberdade de respirar pela alma, de caminhar na passada ritmada pela batida de um coração calmo, mas com passo indómito induzido no carácter de uma vontade férrea. Sigo o caminho que quero, feito de noções e de dúvidas, de quereres e de vontades inalcançáveis numa só vida. Sigo o caminho que contraria os demais, o mais difícil, o mais longínquo e por isso também o mais rico de conteúdo, de experiência e de conhecimento. Sigo o caminho solidário comigo, por natural coerência. Sigo o caminho do amor mas também da guerra. Sigo o caminho da felicidade e nunca me desiludo, com nada nem ninguém. Sigo o meu caminho caminhando.

1.11.09

Mais um pedido de falência nos USA....
O CIT Group pedíu a protecção de credores nos USA.
Depois de durante o último ano ter recebido 2,3 mil milhões de dólares de ajudas do estado, o grupo que tinha um empréstimo obrigacionista a vencer-se entre esta segunda e terça-feiras, no valor de 800 milhões de dólares, pedíu a falência ao abrigo do artigo 11.
Assim vai a economia mundial.
A seguir virão mais, porque nada disto está terminado.
Pede-se seriedade e conhecimento a quem escreve mas pede-se, acima de tudo, isenção.
Sem isenção o país continuará enganado.